A Páscoa
por Heidi Briest Mattern, educadora
Chegou a época do ano em que o verão se despede e a natureza aos poucos se prepara para o recolhimento. Assim como as árvores começam a perder suas folhas com mais intensidade, também nós seres humanos devemos largar tudo que não seja positivo, que não nos leve à verdade, à bondade e à beleza, cultivando momentos de reflexão, de interiorização.
Quaresma! Até a natureza à nossa volta nos lembra através do roxo das quaresmeiras, que estamos vivendo um momento especial, espiritual. Estamos a caminho da Páscoa. – a Semana Santa.
“Iniciaremos a Semana Santa com o Domingo de Ramos, dia em que Jesus decidiu enfrentar a alta cúpula judaica em Jerusalém.
O povo quebrou ramos de palmeiras e os colocou no caminho por onde Cristo, montado em um burro, entrará e será recebido como o Messias e o rei. Mas ele não quer nada disso e se afasta da multidão iniciando um caminho solitário. Mostra que todos somos irmãos e como irmãos temos iguais responsabilidades.
Segunda-feira - estando com fome, Cristo caminha em direção a uma figueira, mas a mesma não tem frutos. Ele declara que, como a figueira só vale quando produz frutos, assim o ser humano deve ser julgado pelas obras que produz, o que é capaz de realizar para os outros. È a abertura da época do amor.
Terça-feira - Cristo vai ao templo para ser interrogado pelos sacerdotes. Para nós este dia deve ser dedicado ao autoconhecimento. Cada um de nós deve buscar objetivamente o entendimento de si para então entrar e observar os eventos sagrados.
Quarta-feira - Maria Madalena unta a cabeça e os cabelos de Jesus, preparando o espiritual para a morte.
Judas Iscariotes vende a informação de onde está Jesus aos fariseus acreditando que assim, Jesus se veria forçado a usar o poder divino e evitar a crucificação.
Ambos amam. Maria Madalena assume o sacrifício de aceitar e superar a dor dos fatos. Judas em contrapartida tenta mudar os rumos em direção à sua própria concepção do que seria salvar o mundo.
Quinta-feira - é celebrada a Santa Ceia e, através do Cristo, o mais sagrado ritual solar: a comunhão do corpo e do sangue, encerrando em si três graus distintos da comunhão. O primeiro é a comunhão da sabedoria, da compreensão. O segundo é a comunhão do coração, dos sentimentos e da compaixão. O terceiro, a comunhão do alimento, que se incorpora ao corpo. Após a celebração, Cristo segue com os apóstolos para o Horto das Oliveiras e se preparam para o grande confronto da morte e da violência.
Sexta-feira - Neste dia ocorrem todos os eventos que servem como marcas eternas na grande caminhada até alcançar a mortalidade: o questionamento, o açoitamento, a coroação de espinhos, o encontro com Pilatos, a libertação de Barrabás, o grito do povo “crucifica”, o julgamento, o arrastar da cruz, a crucificação, a colocação da inscrição INRI na cruz, a abertura do corpo de Cristo pela espada de um soldado, a morte às 15h, o repentino escurecer em Jerusalém, a liberação do corpo, a colocação e o fechamento do túmulo e o terremoto no fim da tarde.
A sexta-feira é a historia da suprema renuncia do poder externo e o estabelecimento do poder interno, um exemplo a ser seguido.
Sábado - Neste dia Cristo penetra até o centro de seu novo corpo, a Terra, que se une com o mais solar dos seres elevados. É o dia do grande silêncio, é dedicado a aguardar a vontade do Pai em plena confiança no porvir, apesar de não compreendê-lo.
Domingo – Maria Madalena vai até o túmulo e vê dois seres luminosos e percebe que um deles era Jesus, o Cristo.
O Domingo de Páscoa finaliza os sete passos extraordinários da Semana Santa, do autoconhecimento ao mais sagrado dos mistérios, que é o mistério do sangue e a morte, abrindo a Nova Era – o Cristianismo Moderno”. O ovo representa este mistério, o nascimento do novo.
Parte do texto extraído do livro “O caminho de Cristo” de Karin E. Scheven
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